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Segunda, 21 Dezembro 2009 09:23

Frei Tuck - programacao final de ano

Segue a programação completa para o fim de ano, com destaque para a visita de Charlie Papazian:
21 a 23/12 - 11:30h até o último cliente da noite
24 e 25/12 - fechado
26 e 27/12 - a partir das 18 horas
28 a 30/12 - 11:30 h até o último cliente da noite
30/12 - Visita de Charlie Papazian ao Frei Tuck (horário a ser confirmado pelo Marco Falcone)
31/12 a 03/01/2010 - fechado

a partir de 04/01/2010 volta o horário normal de funcionamento .

Frei Tuck Slow Beer
Av. do Contorno 5757, Savassi
31-32853694 / 99736366
Apesar dos preços mais altos, que variam de R$ 5,90 a R$ 790, bebida especial ganha o consumidor

Zulmira Furbino - Estado de Minas
Publicação: 27/12/2009 11:40 Atualização: 27/12/2009 12:01


Deus está à venda por cerca de R$ 300 em Belo Horizonte. Isso qualquer um pode descobrir se fizer uma pesquisa nas melhores cervejarias da capital mineira. Soaria estranho vender Deus, e ainda mais num estabelecimento como um bar, não fosse ela uma cerveja (achampanhada ) produzida na Bélgica e acondicionada, como seria de se esperar, em garrafas de champanhe de 750ml.

A presença de Deus nas prateleiras das casas do ramo em BH é uma prova de que a cidade aderiu definitivamente à onda das cervejas artesanais, que há 20 anos conquistaram os consumidores europeus e há uma década os americanos. Bem, agora é a nossa vez. E os preços das cervejas especiais, que vão de R$ 5,90 a R$ 790, estão aí para nos impedir de duvidar.

O Café Viena já não funciona como um café. A casa foi aberta há 10 anos na condição de restaurante austríaco e há apenas dois a cerveja entrou no cardápio. “A gente só vendia chope, vinho e uísque” diz o dono do lugar, Wellerson Fiúza Paulinelli. Tudo mudou no dia em que o estabelecimento recebeu, de uma só vez, 40 clientes que vinham relaxar depois de uma prolongada reunião de trabalho. Pediram cerveja. Paulinelli não tinha. “Foram todos embora. Os 40 de uma vez”, lamenta o empresário. Foi aí que o Café Viena começou a mudar. A princípio, servindo seis tipos de cervejas artesanais. O público gostou e o número passou para 15, 25, 65 até chegar às 440 – originárias de 25 países, entre eles o Japão – oferecidas atualmente. Do mix total, 40 são brasileiras.

A brasileira e também achampanhada Lust, fabricada pela Eisenbahn, em Santa Catarina, é a concorrente da Deus. Pode ser encontrada por R$ 179, o que a torna a cerveja nacional mais cara do mercado. Em seguida vem a Falken Monasterium (cerca de R$ 81), produzida no condomínio Vale do Ouro, na BR 040, saída para Brasília, pela mineira Falke Bier.

Marco Antônio Falcone, dono da cervejaria, explica que a cerveja é fabricada com três grãos de malte e aveia. “Ela é feita com uma quantidade muito maior de malte de trigo e aveia do que os produtos tradicionais”, diz. A bebida leva levedura de alta fermentação e é refermentada na garrafa. São 10 dias de maturação dentro de uma cave subterrânea antes de ser vendida. “Temos a primeira adega subterrânea de maturação de cervejas do Brasil”, orgulha-se Falcone.

Os altos preços, porém, não desanimam os apreciadores. E quem apostou nesse nicho de mercado não tem do que reclamar. No Café Viena, a nova carta de produtos virou referência e conquistou consumidores diferenciados. Só os turistas indicados por hotéis respondem por entre 40% e 50% da clientela. “Foi uma guinada, o movimento aumentou mais de 100%”, garante Paulinelli.

O belo-horizontino Ronaldo Morado é autor do primeiro livro sobre cervejas editado pela enciclopédia Larousse. Ele aposta que o número de amantes de cervejas artesanais no Brasil tende a aumentar. “De 20 anos para cá, os consumidores estão mais exigentes”, justifica. Ao lado disso, houve um boom de microcervejarias no Brasil e o número de cervejas importadas aumentou de modo significativo. “O mercado oferece cervejas que antes a gente não imaginava encontrar no Brasil. Além disso, consumir cerveja artesanal está virando moda. Isso estimula o consumo”, analisa.

A médica Luisane Vieira gosta tanto de cervejas especiais que tornou-se membro da Confraria Feminina da Cerveja (Confece), que completa três anos em março de 2010. Ela reconhece que a confraria trabalha na linha do “bier evangelismo”: organiza festas com chopes e cervejas artesanais no cardápio para ensinar os convidados a apreciarem o sabor da bebida. “A cerveja mais cara que já tomei foi a Deus”, revela. A proposta desse tipo de cerveja, ensina, não é beber em volume. “Essa é um bebida que deve harmonizar com o prato, incluindo a sobremesa”, diz. Nos cálculos dela, o padrão para uma cerveja dessa natureza é R$ 20 numa garrafa de 300ml, preços que valem quando a mercadoria é adquirida em supermercados. É possível encontrar garrafas tipo long neck por R$ 4 (caso da Leffe Blonde, tipo abadia).

Fernando Roberto da Costa, gerente do Haus München, fundado em 1966, explica que o mercado das cervejas artesanais em BH é formado por consumidores de classe média alta, que são degustadores da bebida. “As vendas estão crescendo 10% ao ano. Esse é um nicho de mercado que pode ser explorado porque não falta público. Ficamos sozinhos no mercado por 30 anos. Só há pouco tempo ganhamos concorrência, mas tem espaço para todo mundo”, acredita.

E tem mesmo. João Eduardo Diniz Becker acabou de se formar em administração de empresas e vive da produção caseira de cerveja artesanal iniciada em 2006. Ele fabrica, em média, de 350 a 400 litros por mês, tudo previamente vendido. “Levo de sete a 15 dias para maturar a cerveja, até que ela esteja pronta para ser engarrafada. Cada garrafa custa R$ 10. Vendo para amigos e coloco em um ou outro bar”, afirma.

Fonte: Uai
Segunda, 28 Dezembro 2009 09:48

Eu Sou Legal no Trânsito



Para passarmos nosso período de férias e festas sem problemas ou imprevistos, segue abaixo uma boa orientação.

Saiu recentemente no site do Governo Federal o projeto do Denatran denominado de “Eu sou legal no transito”. O site, interativo, apresenta dicas e depoimentos nos 4 tipos de perfis de agentes do trânsito. O pedestre, o ciclista, o motociclista e o motorista. Para cada segmento há uma cartilha em forma de guia.

Um site interessante e que merece ser divulgado em nosso contexto cervejeiro.

http://www.eusoulegalnotransito.com.br/

Dica do Henrique!
Segunda, 28 Dezembro 2009 12:42

Brooklyn Brewery chega ao Brasil!



BROOKLYN, Nova York – Brooklyn Brewery, uma das cervejarias artesanais líder nos Estados Unidos, está trazendo suas cervejas premiadas para o Brasil em parceria com a BrazilWays International Commerce.

A cervejaria artesanal sediada em Nova York, entre as 30 principais cervejarias nos Estados Unidos, começará a vender suas marcas no Brasil em Março 2010.

“Nós estamos empolgados em vender nossas cervejas ao mercado brasileiro, uma das economias que mais cresce no mundo”, disse Steve Hindy, fundador e presidente da Brooklyn Brewery. “Nossas marcas estão vendendo muito bem na Europa e Ásia, e acreditamos que o Brasil é o melhor mercado para começarmos na América do Sul.

Hindy, ex-correspondente da Associated Press no Oriente Médio, começou a fazer cerveja em casa após conhecer diplomatas Americanos baseados na Arábia Saudita e Kuwait, países Islâmicos onde bebidas alcoólicas são proibidas. Os diplomatas faziam sua própria cerveja em casa. Hindy começou a fazer sua própria cerveja quando retornou a Nova York e então iniciou a Brooklyn Brewery com seu vizinho do andar debaixo, o bancário Tom Potter, em 1988.

As cervejas da Brooklyn são elaboradas pelo renomeado Mestre Cervejeiro Garrett Oliver, autor do “The Brewmaster’s Table”, um livro sobre cerveja e comida. Oliver viajou pelo Brasil ano passado, participando de jantares, degustações e entrevistas. Recentemente foi nomeado editor chefe da “Oxford Companion to Beer”, uma enciclopédia sobre a produção de cerveja que promete tornar-se um trabalho de referência.

A Brooklyn Brewery vende suas cervejas em 25 estados nos EUA, e em 12 países no exterior.

“As cervejas da Brooklyn são um grande exemplo de como boas cervejas harmonizam com boas comidas e vão enriquecer o trabalho que desenvolvemos com a gastronomia”, disse Iron Mendes, diretor executivo da BrazilWays. “Nosso país está vivendo uma revolução em cervejas especiais e os consumidores estão prestando maior atenção no que estão bebendo. Nossa preocupação é apresentar-lhes cervejas de boa qualidade e a Brooklyn Brewery é certamente uma das melhores do mundo”.

Mendes, ex-Oficial da Marinha Mercante trabalha com distribuição de cervejas desde 2005 e tem como hobby fazer cerveja em casa. A BrazilWays International Commerce é sediada em Curitiba e distribui cervejas especiais em todo território nacional.

CONTATO: Ben Hudson, Brooklyn Brewery, 718 233-6659; Iron Mendes, BrazilWays, 41 3022-0740.

Fonte: BrazilWays
Quinta, 14 Janeiro 2010 12:09

Heineken


Heineken anuncia compra da mexicana FEMSA


Seg, 11 Jan, 10h54


HAIA (AFP) - O grupo de cerveja holandês Heineken anunciou nesta segunda-feira a compra do Fomento Econômico Mexicano (FEMSA Cerveza), por meio de uma transação de ações de 7,7 bilhões de dólares (5,3 bilhões de euros).


"A Heineken... vai criar a uma grande nova plataforma para o crescimento com a aquisição das atividades de cerveja da Femsa com uma transação de ações", afirma a empresa holandesa em um comunicado.
"A Heineken vai adquirir a Femsa Cerveza, o que inclui 100% das operações de cerveja da Femsa no México e 83% do negócio de cerveja da Femsa no Brasil, que a Heineken não possuía ainda", completa o texto.
"Com base na cotação da ação da Heineken a 32,925 euros em 8 de janeiro, isto avalia a FEMSA em 3,8 bilhões de euros", explica o comunicado.


A Heineken também assumirá as dívidas da empresa e as obrigações de aposentadoria, o que eleva o custo total da aquisição a 5,3 bilhões de euros.

A Femsa, que possui as marcas de cerveja Dos EquisTecate e Sol, passará a possuir 20% das ações do grupo Heineken. Deste modo se torna a segunda acionista do grupo holandês e terá dois representantes na diretoria.

O diretor executivo da Femsa, José Antonio Fernández Carbajal, afirmou que "no contexto da reconfiguração do cenário mundial da cerveja, a diversificação geográfica e de escala é mais importante que nunca, e esta transação responde a este imperativo". "A transação aumenta a flexibilidade operacional e financeira da Femsa", destacou.


A Femsa é a maior engarrafadora da Coca Cola na América Latina e sua divisão cerveja tem 14 fábricas no México e Brasil, onde produz 35 marcas. A negociação deve ser concluída no segundo trimestre de 2010 e será submetida à aprovação dos acionistas dos dois grupos.


O anúncio da Heineken foi uma surpresa, já que tudo dava a entender que a Femsa Cerveza seria vendia ao grupo sul-africano SABMiller, segundo o Wall Street Journal.
"É uma transação fundamental para a Heineken", declarou o diretor executivo do grupo holandês, Jean-François van Boxmeer. "Vamos nos transformar em um ator muito mais poderoso e mais competitivo na América Latina, um dos mercados mais rentáveis e que se desenvolve com mais rapidez no mundo", afirmou.


"Esta aquisição reforça de forma considerável nossa posição no mercado global de cerveja, aumenta nossa carteira de marcas internacionais e reforça nossa posição no mercado de importação nos Estados Unidos", acrescentou.
A Heineken, fundada no século XIX em Amsterdã, produz e vende quase mais de 100 marcas de cerveja, entre elas Amstel, Cruzcampo, Birra Moretti, Foster's, Murphy's, Primus e Newcastle, e tem 56.000 funcionários no mundo.



Quinta, 14 Janeiro 2010 15:27


De Norte a Sul:
Mestre cervejeiro Evandro Zanini aposta na expansão do mercado brasileiro

Escrito por Daniel Wolff

Um dos mestres cervejeiros mais requisitados do Brasil para montagem de cervejarias e elaboração de fórmulas de cervejas, Evandro Zanini está sempre sorrindo. Com uma profissão dessas, não poderia ser diferente. Pronto para bater um papo, ainda mais se for sobre cervejas, o carismático catarinense, que reside em Belo Horizonte (MG), parece estar em todos os lugares onde tem uma roda de cervejeiros. Viaja de cima para baixo pelo Brasil, seja montando cervejarias, fazendo consultorias ou visitando feiras. E já participou de importantes projetos cervejeiros, entre eles o da criação da cerveja Xingu, que lhe rendeu diversas premiações internacionais.
Como e quando foi a sua formação de mestre cervejeiro?
Fui um dos sete alunos da primeira turma a se formar em Tecnologia de Alimentos, pela Escola Técnica de Alimentos de Videira, em 1992. A escola é mantida pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). Minha tese de formação foi sobre cerveja. O assunto sempre me fascinou. Assim que me formei em 1992, e já trabalhando na Cervejaria Caçadorense, assumi o laboratório de controle de qualidade, responsável pela análise das cervejas que eram produzidas pela empresa. Um dos cuidados especiais era no momento do tratamento dos grãos do malte para a produção da cerveja Xingu, para a exportação. Na época, não tínhamos maltes especiais como o malte tipo chocolate e nem malte tipo Carafa para compra. Então, o tratamento do malte tinha que ser feito na própria empresa.
De que projetos de cervejarias você participou?
Em 1994, fui convidado pelo paranaense Arlindo Dionísio Filho e seus irmãos para a montagem de uma das primeiras microcervejarias do Brasil, a Brewpub, de São Paulo. Foi onde acabei permanecendo como cervejeiro por sete anos. Durante esse período, também participei da tradução técnica de livros sobre cervejas e concedi algumas entrevistas. Já em 2002, fui convidado pelo gaúcho Valdir Turatti para reimplantar a Lupus Bier, que estava em Florianópolis e acabara de se mudar para Fortaleza com os equipamentos. Acabei trabalhando até o final de 2006 nesta cervejaria. Enquanto isso, montei em Treze Tílias (SC) a Bierbaum, e em Ribeirão das Neves (MG) a Falke Bier. Em 2006, iniciei um projeto em Minas Gerais, na cidade de Capim Branco, chamado Cervejaria Artesamalt. A cervejaria, cujo projeto inicial previa apenas 8 mil litros/mês, foi ampliada rapidamente para 38 mil litros, devido à grande procura pelo produto.Em 2008, saí da Cervejaria Artesamalt para me dedicar à cultura cervejeira no Brasil, participando de novos projetos de cervejarias que tinham como foco as cervejas especiais. Foi o caso das recém-inauguradas Wensky Bier (Araucária/PR) e Klein Bier (Campo Largo/PR), também das cervejarias Rofer (Itupeva/SP), Othomania (Pompéia/SP), Esse Bier (Nova Lima/MG), Skarol (Àguas Lindas de Goias/GO), Oktos Chopp (Aparecida de Goiânia/GO), Besser Bier (Manuas/AM), e de outras que estão em andamento.
Quais foram os mais importantes?
Posso afirmar que todas foram e, de certa forma, estão sendo especiais e importantes.
Qual é a sua percepção do mercado atualmente em relação ao início da sua carreira?
No início, as dificuldades eram muitas. Mas sempre busquei manter contatos com profissionais de outras regiões. Claro que nem sempre fui correspondido, porém nunca desanimei. Das muitas vezes que busquei auxílio de profissionais nos Estados Unidos, sempre fui prontamente correspondido. O contato maior com os cervejeiros americanos se deu na época em que eu estava no Brewpub, entre 1996 e 2002. Hoje a oferta de produtos nacionais e importados, tanto no que se refere aos tipos como aos estilos de cervejas, é muito maior que em 1997, quando iniciei minhas pesquisas e aperfeiçoamentos.
O Brasil é um grande produtor de cerveja?
Devido ao nosso clima favorável, pode aumentar ainda mais a quantidade e variedade de produtos para se tornar um dos maiores consumidores e apreciadores mundiais.

Daniel Wolff é sommelier, especialista em cervejas. Editor do site Mestre-Cervejeiro, palestrante e professor.
Foto: Henrique Oliveira.
Fonte: http://www.mestre-cervejeiro.com/entrevistas/de-norte-a-sul-mestre-cervejeiro-evandro-zanini-aposta-na-expansao-do-mercado-brasileiro.html
Sexta, 15 Janeiro 2010 08:57

Opinião


Publicamos a réplica do artigo " A cerveja: bebendo gato por lebre"


A cerveja e o orgulho de quem faz o melhor
31/12/2009


A indústria brasileira de cerveja zela pela qualidade de seu produto. Ela sabe que seu consumidor é exigente e tem muito bom gosto SILVIO LUIZ REICHERTEM ARTIGO publicado no dia 18 ("A cerveja: bebendo gato por lebre"), o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite atacou duramente a indústria brasileira de cerveja, lançando mão de argumentos ora incorretos, ora infundados, mas sempre injustos. Argumentos que precisam ser refutados em nome de um setor que goza da confiança e da preferência de milhões de consumidores, que foram inaceitavelmente desinformardos. Para deixar claro que não aprecia o produto que é feito no Brasil e consumido e aprovado pelos brasileiros, o autor se vale de números errados e premissas levianas que não levam à conclusão por ele desejada, a de que a cerveja brasileira é ruim porque elaborada de maneira enganosa, na base da "malandragem", utilizando-se de produtos de baixa qualidade, ludibriando o consumidor e afastando-o do que o autor considera "bom gosto".


A indústria nacional de cerveja possui tradição de mais de cem anos e tem orgulho de produzir bebidas de altíssima qualidade, assumidamente mais leves, menos encorpadas, mais refrescantes, mais digestivas do que similares europeias e condizente com o clima brasileiro e com o que deseja o consumidor. Ao contrário do que dá a entender o artigo, as grandes cervejarias obedecem à legislação brasileira, que determina que a porcentagem de malte (cevada submetida a processo controlado de germinação) contido no extrato que dá origem à bebida não pode ser menor do que 55%. Os demais cereais que o mestre cervejeiro usa nas fórmulas, dentro da lei e das boas práticas da profissão e da produção, são não maltados, ao contrário do que diz o autor, e empregados para alcançar as características que se pretende: mais malte é igual a cerveja mais encorpada e mais pesada; menos malte (respeitando o mínimo de 55%) é igual a cerveja leve, refrescante, suave. A segunda e incompreensível incorreção do físico vem no bojo de conta que ele faz para tentar convencer que a cerveja fabricada no Brasil utiliza outros produtos que não a cevada para ludibriar o consumidor. Prova: o Brasil não produz nem importa cevada suficiente para dar conta da demanda de malte dos fabricantes. De fato, não mesmo. Tanto que a maior parte do malte utilizado pelas grandes indústrias, algo em torno de 65% ou mais, é importado. Mas isso não entrou na conta do autor. Da mesma forma, ele desconsidera que mais malte ou menos malte na cerveja é antes de tudo uma opção do mestre cervejeiro na formulação de seu produto. Em algumas marcas de grande penetração no nosso mercado, esse percentual chega a 100%. Trata-se de opção técnica, cujo único objetivo é justamente produzir um produto de acordo com a preferência do consumidor, nunca enganá-lo. Claro que há gosto para tudo, tanto que fabricantes nacionais mantêm em seu portfólio inúmeras marcas importadas, belgas, alemãs e outras. Mas essas marcas ocupam uma faixa inexpressiva do mercado, por um motivo muito simples: a imensa maioria prefere a cerveja brasileira. Ainda para tentar convencer o leitor de que a "má qualidade" origina-se na opção por produtos ruins, o autor comete mais um erro: afirma que o índice de conversão do grão de milho em álcool é maior que o da cevada. Trata-se exatamente do oposto: a cevada tem rendimento de 67% na composição do extrato originário da cerveja, enquanto o milho atinge apenas 56% de rendimento. Há ainda a contestar um argumento leviano e duplamente incorreto. O autor diz que a tal "má qualidade" seria, também, decorrência da utilização de conservantes químicos. As cervejarias brasileiras de primeira linha não usam conservante por dois motivos: primeiro, porque é ilegal, trata-se de prática vetada pela legislação; segundo, porque totalmente desnecessário, já que a conservação da cerveja de boa qualidade é garantida pelo seu próprio processo de fabricação. Por fim, o autor mira suas baterias contra o lúpulo utilizado no Brasil, também este de "baixa qualidade". Talvez ele não saiba que o produto é importado da Europa (onde é utilizado inclusive no fabrico das cervejas alemãs, por ele citadas) e dos EUA, que mantêm rígidos padrões de qualidade para o produto. Esse nível de desinformação se choca frontalmente com o patamar de excelência em que se encontra a indústria brasileira de cerveja. Trata-se de um setor que investe permanentemente em pesquisa e inovação, dispõe das mais modernas tecnologias e zela pela qualidade de seu produto porque tem plena consciência de que, diferentemente do que pensa o autor do artigo, seu consumidor é exigente e tem muito bom gosto.


SILVIO LUIZ REICHERT, químico, mestre cervejeiro pela Doemens Fachakademie, da Alemanha, é vice-presidente de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da Anheuser-Busch Inbev.-


Fonte: Folha de S.Paulo
Sexta, 15 Janeiro 2010 09:13

Publicamos a tréplica: "A cerveja: bebendo gato por lebre"

TENDÊNCIAS/DEBATES

Cerveja: o orgulho de quem fatura mais
ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE

Por que as cervejas belgas, inglesas e alemãs que usam lúpulo de boa qualidade não precisam de antioxidantes e estabilizantes?

EM TEXTO anônimo, assinado por um certo Silvio Luiz Reichert e intitulado "A cerveja e o orgulho de quem faz o melhor" (30/ 12), a multinacional de capital estrangeiro Anheuser-Busch Inbev, proprietária da AmBev, responde ao meu artigo "A cerveja: bebendo gato por lebre" (18/12/09). Entretanto, não responde à principal acusação, a saber, o engodo de que foi vítima o governo e o povo brasileiro pela fusão Antártica-Brahma, quebrando princípios e a legislação contra a formação de cartéis com a desculpa de que, fundidas, poderiam enfrentar a competição com multinacionais -para ser o cartel, em seguida, absorvido por empresa estrangeira. Também não foi explicada a prática perversa de coação a cervejarias nascentes para depois absorvê-las e aniquilá-las ou banalizar seus produtos. Pois bem, a mentira tem muitas faces, como se vê em seguida.

1) Maranhão, mentira bem urdida (padre Vieira, "Quinto Domingo da Quaresma"). Diz o echadiço que "a maior parte do malte utilizado pelas grandes indústrias, algo em torno de 65% ou mais, é importado. Mas isso não entrou na conta do autor". Ora, ou o trombeta não sabe ler, ou é intelectualmente apoucado, ou é mal-intencionado, ou os três, pois foi exatamente com a soma da cevada produzida no Brasil com a importada que foram feitas as minhas contas.

2) Patranha, mentira para tolos, crédulos. Afirmei e reafirmo aqui que a taxa de conversão da cevada em álcool é de 0,216 L/kg, e de milho em álcool é de 0,388 L/kg. E o sofista responde com as taxas de rendimento "na composição do extrato originário", o que nada tem a ver com conversão em álcool. Os dados, em todo caso, podem ser encontrados por exemplo no estudo "Culturas energéticas e o etanol", de Tiago Mateus. O leitor interessado também pode encontrar os dados de importação e exportação em http://www.cnpt.embrapa.br/ ou http://www.quercus.pt/ e com isso repetir os meus cálculos. Cuidado, deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), pois está sendo ultrapassado desavergonhadamente em seu recorde mundial.

3) Inverdade, eufemismo (Machado de Assis, "A Semana"). Diz o buzina que "as cervejarias brasileiras de primeira linha não usam conservante (...) porque é ilegal". Será que a legislação brasileira é diferente para cervejas de segunda linha? E quais são as cervejas de segunda linha que, de acordo com a legislação brasileira, podem legalmente intoxicar os brasileiros com conservantes?
4) Embuste, quando é calculada para enganar. Diz o passavante que conservantes não são usados por serem desnecessários. Então para que servem o antioxidante INS 315 e o estabilizante INS 405, como se lê em letras miúdas de quase todos os rótulos de cervejas da AmBev e das demais cervejarias nacionais? Será que a mudança de nomenclatura de "conservante" por seu sinônimo, "estabilizante", satisfaz o legislador brasileiro? Será que o sarabatana estaria chamando o brasileiro de analfabeto, incapaz de ler o rótulo, ou de idiota, pois incapaz de entender o que lê?

5) Patarata é mentira com basófia, ostentação. Diz o estafeta que o lúpulo que é usado no Brasil vem da Alemanha e dos EUA e, portanto, é tão bom quanto o usado naqueles países. Mais uma vez ofende a inteligência do leitor da Folha e do brasileiro em geral. Importamos vinhos de excelente e de péssima qualidade da França, da Itália etc. Os de baixa qualidade são mais baratos. Importamos bons e péssimos filmes dos EUA. A diversidade da qualidade do lúpulo alemão é, reconhecidamente, enorme. As cervejas americanas são quase tão "leves, refrescantes e digestivas" e homogeneamente banais quanto as brasileiras. Que o leitor experimente uma dessas vulgares cervejas americanas. (Aliás, se alguém precisa de digestivo, é melhor tomar sal de fruta Eno do que cerveja da AmBev. E o gosto não é muito diferente). Então por que as boas cervejas belgas, inglesas e alemãs que usam lúpulo de boa qualidade não precisam de antioxidantes e estabilizantes?

6) Intrujice, quando se abusa da credulidade de fraternos. E, agora, o maior dos sofismas, o abuso repugnante de um sentimento de brasilidade dentro da mesma técnica que a AmBev elabora suas indecorosas propagandas televisivas, que induzem o cidadão desavisado a consumir suas cervejas pela associação com objetos de desejos primitivos: carros de luxo, mulheres seminuas, fartos banquetes, ou seja, a peta da promessa de sucesso. Os pífios argumentos do recadista apenas comprovam o baixo nível ético da empresa que o emprega.

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 78, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha .Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
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